Saiba mais sobre Cálculo Renal (pedra nos rins)


1- Quais os sintomas causados pelos cálculos renais?

O paciente portador de Cálculo renal pode ser assintomático, apresentar dor lombar de intensidade variável, ter cólica renal ou sintomas de infecção.

Cálculos renais pequenos podem ser completamente assintomáticos se não causarem obstrução à passagem da urina. Quando a drenagem é comprometida, a urina se acumula e há um aumento da pressão no interior do rim, o que leva a uma forte dor lombar em cólica, que pode irradiar para a parte inferior do abdome e está associada a náuseas e vômitos.

2. Como se formam os cálculos renais (pedras nos rins)?

Para haver a formação de um cálculo renal, a urina deve conter uma quantidade excessiva de minerais, acima do que pode ser dissolvida na urina.

Com o aumento da concentração acima do ponto de solubilidade, se formam os cristais, que podem ser eliminados na urina ou então, se precipitam dentro dos rins e se agrupam dando origem assim, a uma pedra.

3 – Cálculo renal é uma doença comum?

Cálculo renal é uma das doenças mais comuns da sociedade moderna e sua prevalência tem aumentado progressivamente nas últimas décadas. A prevalência dos cálculos renais ao longo da vida é de aproximadamente 10 a 15% e fatores como idade, sexo, raça e localização geográfica interferem diretamente na incidência da doença.

4 – Existem fatores de risco para formar pedra nos rins?

A incidência de cálculos está fortemente relacionada aos hábitos de vida da pessoa, histórico familiar de cálculo renal e fatores de risco ocupacionais e ambientais. Uma parcela dos pacientes apresenta também distúrbios metabólicos que elevam a quantidade de minerais na urina. Pessoas com baixa ingesta de líquidos, grande consumo de alimentos ricos em sódio e proteínas apresentam maior chance de formação de pedras. Trabalhadores que ficam expostos a altas temperaturas e a situações que levam à desidratação (ex. cozinheiros, siderúrgicos) apresentam um menor volume urinário. Com isso, a urina se torna mais concentrada, o que leva a uma maior prevalência nesse grupo. A litíase renal é mais comum em regiões quentes, áridas ou de clima seco, como montanhas, desertos e áreas tropicais. (veja o tratamento da litíase renal).

5 – Existem medicamentos que causam pedra nos rins?

Existem medicamentos que aumentam o risco de litíase (estimulam a formação de cálculos renais). Conheça-os aqui.


6- Quais as doenças associadas com a formação de cálculos?

Dentre as doenças relacionadas com cálculos, podemos destacar:

  • Hiperparatiroidismo
  • Hipertiroidismo
  • Doença de Crohn
  • Pós operatório de Cirurgia Bariátrica
  • Pós operatório de Cirurgias com Ressecções intestinais
  • Síndrome de má absorção
  • Obesidade

7- Quais os tipos de cálculos renais?

O componente mais comum dos cálculos urinários é o cálcio, sendo o elemento principal em 75% dos casos. A maioria dos sistemas de classificação para cálculos renais diferencia aqueles com componente cálcico e sem cálcio em sua formação, como mostra a tabela:

– Cálculos contendo cálcio – oxalato de cálcio monohidratado
dihidratado
– fosfato de cálcio hidroxiapatita
brushita
carbonatoapatita
– Cálculos sem cálcio – ácido úrico
– estruvita (fosfato amoníaco magnesiano)
– cistina
medicamentos

8 – Qual o tipo de cálculo mais comum?

O tipo de cálculo mais comum é o de oxalato de cálcio, que corresponde à cerca de 60% do total, seguido pelo cálculo de fosfato de cálcio, de ácido úrico e de estruvita.

Composição do Cálculo Frequência
– Oxalato de cálcio 60%
– Fosfato de cálcio 22%
– Ácido úrico 7%
– Estruvita 7%
– Cistina 1-3%

9 – Existe relação entre cálculo e infecção urinária?

Sim, a infecção do trato urinário pode ser causada por diferentes microrganismos. Alguns tipos de bactérias (Proteus, Pseudomonas, Klebsiella, Staphylococcus) produzem uma enzima formadora de amônia, o que leva a um aumento do pH urinário. Esse aumento favorece a precipitação de cristais de fósforo, amônia e magnésio e a formação do cálculo chamado estruvita ou fosfato amoníaco magnesiano, que pode ter grandes dimensões sem causar dor.

10- O que é Cálculo Coraliforme?

Os cálculos podem ter diferentes formatos e tamanhos independentes da sua composição. Quando ocupam grande parte da área interna do rim são chamados de cálculos coraliformes (devido à semelhança de sua forma com os corais marinhos). Portanto, a denominação de cálculo coraliforme se deve ao seu formato e não à sua composição.

11- Quais os sintomas causados pelos cálculos?

O paciente portador de cálculo renal pode ser assintomático, apresentar dor lombar de intensidade variável, ter cólica renal ou sintomas de infecção.

Cálculos renais pequenos podem ser completamente assintomáticos se não causarem obstrução à passagem da urina. Quando a drenagem é comprometida, a urina se acumula e há um aumento da pressão no interior do rim, o que leva a uma forte dor lombar em cólica, que pode irradiar para a parte inferior do abdome e está associada a náuseas e vômitos.

12 – Quais as medidas gerais para um paciente com cálculo?

Dentre os cuidados necessários para um paciente com história de cálculo, se incluem o aumento da ingesta de líquidos para que forneça um volume urinário em torno de dois litros ao dia. É recomendado beber sucos cítricos (limonada e suco de laranja), pois além de aumentarem o volume de urina, aumentam o citrato urinário que tem papel protetor na formação do cálculo.

Restrição da ingesta de proteínas, pois elevam a excreção de cálcio, ácido úrico e oxalato, e também restrição de sódio, pois propicia a cristalização do cálcio na urina.

Estudos mostram que a redução de sódio e proteína reduzem os episódios de cálculo em 50%.

13 – Quando o paciente deve ser tratado?

A maioria dos cálculos é eliminada espontaneamente e não exige tratamento médico. Os principais fatores determinantes da necessidade de tratamento são: tamanho do cálculo, presença de obstrução, infecção ou dor.

Cálculos de até 6 mm provavelmente terão eliminação espontânea. Se o paciente estiver bem e os exames não mostrarem as alterações acima, poderá ser apenas seguido regularmente.

Cálculos maiores que 6 mm apresentam eliminação espontânea improvável e mesmo em indivíduos assintomáticos devem ser tratados pelo risco de cedo ou tarde causarem problemas clínicos.

Cálculos que causem dor recorrente, infecção ou obstrução de alguma parte das vias urinárias devem ser tratados independente do tamanho.

Tamanho < 4 mm 4 – 6 mm > 6 mm
Eliminação espontânea 90% 50% 10%

14 – Quais as formas de tratamento do cálculo renal?

Muitas são as opções de tratamento dos cálculos urinários:

  • Tratamento clínico (no aguardo da eliminação espontânea)
  • Litotripsia extra-corpórea por ondas de choque (LECO)
  • Endoscopia do ureter
  • Endoscopia flexível do rim
  • Cirurgia percutânea do rim
  • Cirurgia laparoscópica
  • Cirurgia aberta

A escolha do tratamento depende da quantidade e tamanho dos cálculos, da sua posição, composição, da anatomia renal, disponibilidade de equipamentos, experiência do cirurgião e escolha do paciente.

15. Como deve ser feito o acompanhamento do paciente com pedra nos rins?

Após a investigação inicial e o tratamento, o paciente deve ser acompanhado com exames de sangue, urina e exames de imagem em um período não superior a um ano.

Cálculos renais são recorrentes e metade das pessoas que tiveram cálculo vão ter novamente em um período de 10 anos.

Referência Bibliográfica:

  • Guidelines – European Association of Urology
  • Guidelines – American Urological Association
  • Campbell – Walsh Urology